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Mostrando postagens de março, 2012

Cidades do Coração

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A nossa relação com a cidade é algo que precisa ser apreciado, de verdade, pois diz muito de quem somos e para onde vamos. Aprendi a me relacionar com cidades desde minha chegada à Fortaleza, aprendi inclusive a me tornar até mais recifense, com o olhar que tive de fora. Tenho minhas cidades preferidas, as que guardo no coração mesmo e que quero sempre voltar. Rio de Janeiro, Buenos Aires, Montevideo, La Cumbrecita, são algumas. Sempre penso, lembro e me teletransporto, o que me faz sentir àquele mesmo momento e me faz dar um sorriso fácil. Como diz o escritor uruguaio Eduardo Galeano, a explicação para ele viver em Montevideo é o fato de ser uma cidade "caminhável e respirável". Comecei a pensar em Fortaleza, que é uma cidade assim. Comecei a caminhar mais nas ruas, a respirar ainda mais fundo na beira da praia e na cobertura do meu prédio, com a visão praticamente para toda a cidade, incluindo a serra de Maranguape e com um pôr do sol belíssimo. E assim foi, fui me apaixona...

Pra falar de saudade

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Imagem: "Saudade" (1899; Almeida Júnior) Lembro bem o dia em que fui apresentada à saudade. Era uma manhã de uma noite mal dormida e eu tinha 9 anos. Minha mãe decidira que mudaríamos, ela e eu, de cidade. Percebi logo que a mudança incluía casa, vizinhos, rotina, escola e amigos. E foi por eles, a escola e os amigos, que perguntei à mãe: ‘como será agora?’. Ela serenamente respondeu: ‘você terá outros, filha’. E assim aconteceu. Desde esse dia que trago comigo a tal da saudade que, pra ser boa, tem que ser passageira. Se ela é longa, aí deixa de ser saudade e ganha outro nome que eu não sei qual. Mas não é saudade. Quem sabe infelicidade, ou dor de ausência prolongada... enfim. Saudade é pra ser curta e assassinada. Assim mesmo. Já a despedida é a chegada da saudade. É aquela hora em que o mal estar ganha amplitude e a falta do outro ou de algo se anuncia. Quem curte despedidas? Nem eu. Acumulo angústia sem fim, vontade de chorar e, por fim, sinto um imenso sentimento de im...

Versos íntimos e saudáveis

Conversando com um querido amigo, com quem compartilho boas conversas sobre textos, palavras e poesias, falei sobre uma poesia de Augusto dos Anjos que me fisgou aos 16 anos, durante uma aula de literatura, e que sei recitar de cor até hoje, chama-se Versos íntimos. Andava numa “vibe” mais Mário Quintana e Manuel de Barros, vendo o mundo sempre colorido e inocente, lúdico e esperançoso (dá pra perceber pelos minhas últimas postagens aqui). Mas apesar disso, também vejo o lado negro, o lado duro, o lado cruel que possui a vida e os relacionamentos humanos. Por que não escrevo sobre isso? Rodrigo me desafiou e aqui estou, para falar dos Versos Íntimos e - sem deixar de ser eu - que também há beleza no escuro, no trash, beleza ligada ao amadurecimento, à visão de que é preciso mudar de visão para se ter uma serenidade que permita a compreensão, sem esta estar ligada à inocência, claro. Soltar a fera que existe em nós – até colocada ludicamente na famosa “solte suas asas, mostra suas feras...

Olhos que voam

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No meio da praça, descansando o almoço, Observei um pássaro que parava numa flor bem em frente a mim. Observei o olhar dele (sim, vício na comunicação por meio de um olhar), aqueles dois pontinhos pretinhos tentando fazer amizade, vi nele a liberdade. Liberdade para amar a Natureza, para simplesmente amar. Penso que pássaros saem de flor em flor distribuindo olhares, cantos e ternura. Sim, pássaros são livres, amam, cantam e encantam. Assim como as pessoas. Penso então que pessoas podem passarinhar... e sim, voar, por que não?