Postagens

A riqueza (e a pobreza) de Manaus

Imagem
Sempre tive vontade de conhecer o Norte do país, por ser distante geograficamente e mesmo distante de conhecimento, por ser uma região afastada do sudeste (coisa que o Nordeste sofre também, mas acredito que um pouco menos nos últimos tempos), pouco se fala e quando se fala é sobre a floresta amazônica e a zona franca de Manaus, que até então eu nem sabia que não existia mais, confesso. Manaus e Belém sempre estiveram em meus planos de viagem e tive a oportunidade de poder conhecer a capital manauara. Impressões que tive. Aproveitei uma corrida lá como desculpa e, primeira coisa, senti em plenos pulmões o quanto é abafado e quente, nunca caminhei em uma prova nesses quase dois anos de corrida de rua, pois foi a primeira vez, caminhei três vezes, quase desisti. A temperatura chegou fácil aos 40 graus, dificilmente irei reclamar com tanta veemência do calor do Ceará ou de Pernambuco, só continuo reclamando dos 44 graus do Rio de Janeiro, que me fizeram desmaiar de insolação, ma...

Sem medo do ridículo

Imagem
“eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que   não   tem   medo do ridículo”, Luis Fernando Veríssimo Pensava dia desses sobre isso, do quanto faz diferença não ter medo de parecer ridícula. Do quanto me fez uma adulta, uma mulher mais feliz, genuinamente. Do quanto me fez ser “eu” sem medo, do quanto me fez pensar e falar as besteiras que me passam à mente, sem medo de rirem de mim (eu mesma morro de rir de mim, sério). Mas não foi sempre assim, lembro que até os 8 anos, mais ou menos, eu tinha medo de parecer ridícula, não participava das aulas direito porque tinha vergonha de perguntar e não tinha amigos, pois tinha medo até de falar. Mas cheguei a ser oradora da turma de alfabetização, morrendo de vergonha, mas fui. Acho que essa vocação de ser feliz tava ali dentro, contida, mas tava. A partir dos 9 me bateu algo. Coloquei na cabeça que ia falar mais e que ia “aparecer mais”. Resolvi dançar no festival de folclore do colégio e fui logo...

A conversa que chegou na cozinha

Imagem
De sete anos pra cá tenho me mudado bastante, vou agora para a quinta residência da era pós-casa dos pais. Entre várias opções e durante as buscas venho percebendo algo interessante, apartamentos mais antigos com a cozinha separada da sala quiçá com quarto de empregada, enquanto os mais novos possuem cozinha acoplada à sala, a conhecida "cozinha americana". Refleti sobre. Cozinhar até então era coisa de mãe, de avó e muitas vezes apenas da "secretária do lar". Crianças não são (eram) criadas para isso, pelo menos não na cultura brasileira, principalmente a nordestina. No entanto, hoje é nítido o crescimento do interesse na cozinha por jovens, sem filhos, por pessoas que mal têm tempo para si por conta do trabalho. Eu vivo exatamente isso. A cozinha acabou virando um prazer. Não sabia nem fazer pipoca de microondas, pois - não sei como - queimava. Minha sabedoria culinária pairava uma boa panela de brigadeiro e um bom ovo sem estourar a gema. Morando soz...

Padrinho, voltei!

Imagem
Na época da faculdade, tive a oportunidade (e a sorte) de conhecer pelo interior do Ceará alguns mestres da nossa cultura tradicional popular. Um professor – guru – me mostrou algumas veredas nesse caminho e eu encarei. O resultado é um caldeirão de experiências impressas na memória e no peito. E que trago comigo como um presente, por toda a vida. Nessa trajetória, de pesquisas aqui e emoções ali, tive a oportunidade de ir até Juazeiro do Norte em época de romaria. Não lembro exatamente a data, mas era julho. O ano, creio, era 2004. São quase dez anos e a emoção de estar aos pés da estátua – não me perguntem o porquê – me envolve até hoje. Naquela época, encarei a subida das escadas do Horto. São estreitas e quase uma penitência debaixo do sol forte. Tinha muita, muita gente. Eu era uma menina, franzina, curiosa. Teve até uma hora que eu nem senti meus pés no chão. Me levantaram e eu voei. Meu guru só olhava de longe. Ele não se arriscou. Já perto da bengala do padre, orações, lou...

Vida Corrida

Imagem
Há exatamente um ano inventei essa história de correr. Não o correr contra o tempo, que esse aí já quero é desacelerar. Mas falo de ultrapassar limites físicos. De me impor desafios. Comecei intercalando corrida e caminhada, mas antes mesmo de um mês já estava correndo 30 minutos seguidos, sem parar. Nunca na história desse Brasil isso havia acontecido. Aprendi a reparar na minha passada, no meu ritmo, na minha respiração, em como meus pés pisam no chão, em como meus joelhos se comportam, os braços, até que comecei a vê-los como minha equipe. E, como equipe, tenho que cuidar, mandar pensamentos positivos “vamos lá, falta só mais um pouco, a gente consegue!”, coisas do tipo. Achava muito difícil conseguir correr 5km, me inscrevi para a primeira prova no primeiro mês ainda por pura empolgação, uma prova linda em Florianópolis/SC. Adoeci dias antes, gripe e tosse terríveis adiaram minha estreia, mas sei que no fundo eu sentia que não conseguiria correr os 5km. A primeira prova ac...

Abandonar pra ser feliz

Imagem
Vi dia desses no facebook um link com as 15 coisas que você precisa abandonar para ser feliz. Fui lá e cliquei, por curiosidade e fiquei feliz mesmo em saber que tenho minha vida e minhas convicções pautadas justamente nessas "coisas". Óbvio, claro, lógico que um ou outro preciso ainda trabalhar, mas estou bastante satisfeita com o que venho colhendo. Não tem pra onde, a gente colhe aquilo que planta.  Editei rapidamente aqui a lista e fiz alguns comentários (em laranja pra destacar - amostrada eu hehehe), pra quem quiser conferir: 1. Desista da sua necessidade de estar sempre certo   Sempre que você sentir essa necessidade “urgente” de começar uma briga sobre quem está certo e quem está errado, pergunte a si mesmo: “Eu prefiro estar certo ou ser gentil?” (Wayne Dyer) Que diferença fará? Seu ego é mesmo tão grande assim? Sinceramente, esse é um dos pontos que estou trabalhando com afinco. Me considero uma vitoriosa quando consigo não entrar numa discussão ferre...

Imenso azul

“O que tem no fim do mar?” Essa dúvida me acompanhou durante boa parte da infância. E mais, eu tinha certeza de que um dia iria descobrir. Quando entendi que do outro lado havia um continente, resisti. Preferi continuar acreditando que havia um mistério lá e um dia seria revelado pra mim. Tudo, na verdade, não passava de medo. Sentia um completo terror do mar. E quando o medo vem, a curiosidade acompanha. Gastar o mar e ter um monte de dúvidas na cabeça é bom demais. O primeiro passo é não ter pressa. Sentar na areia e olhar. O mar é um templo, é fortaleza. Aí depois vem aquele bando de dúvidas, ou inquietações, como queira. Pelo medo que dá, pelo espanto que causa, pela beleza que turva a vista da gente. Como imaginar que ela, a natureza personificada na imensidão do Oceano, não é obra divina? Esse azul é terapia que nos salva, imensidão que nos diminui e nos faz sentir tão frágeis, humanos enfim. E é por me fazer sentir tão pequena que, com uma frequência cada vez...