Sempre gostei de brincar com as palavras, seus significados, o que acontece com a mente ao unir lé com cré, sem falar quando esses encontros palavrísticos tocam o coração. Lembro demais das primeiras aulas de literatura, ainda na sétima série, quando aprendi a parte técnica da poesia, a professora ensinando como construir rimas, estrofes, quartetos, tercetos, o que era um soneto, um hai kai, a diferença entre poesia e poema… meus olhos ampliaram com tal interesse que jamais a aula de matemática chegou perto. Comecei então a rascunhar, a brincar com rimas, fazer poesia para o aniversário da avó, para a seleção brasileira de 1994, para meu poodle chamado Toffy. E dali não parei. Foram anos intercalando estilos, da poesia ocasional para a crônica, para a agenda diária da adolescência, onde eu relatava tudo o que acontecia no meu dia, os sentimentos de cada fato ali descrito, foi uma verdadeira escola da narrativa (ainda guardo todas as agendas até hoje, de 1996 a 2001, se não me enga...
Pegamos a rota da estrada real. Depois de uma maratona de atividades domésticas (casa nova, mudança, reforma e reforma de novo), é retomada a temporada de viagens. Não as de trabalho, com horário pra dormir e acordar (essas não têm fim nunca, ainda bem), mas aquelas cujo encontro é somente com o prazer. Que não termina quando o viajante chega em casa, de volta. Uma boa viagem mora na gente por muito tempo. Conhecer Outro Preto, Tiradentes, Mariana e todas essas minas gerais, históricas e lindas, sempre fez parte dos meus planos. O dia chegou. E, sim, foi diferente do esperado. Sem detalhar a envolvente simpatia mineira, me encantei com as igrejas, me impressionei com a arquitetura, cansei nas ladeiras e ainda estiquei até o sul pra me deliciar nas gélidas cachoeiras do complexo da Zilda, na pequena gigante Carrancas mineira. Uma viagem completa, com direito a tombo, confusões em mapa, pane no GPS. Nesse meio tempo, devo ter engordado um pouco, claro. Ir a Minas e não provar...
Não, não vou falar do príncipe daqueles de cavalo branco e que casa com a princesa no final. O príncipe aqui é o meu melhor amigo, o qual também chamo de irmão de alma, com quem vivi tanta coisa, com quem saí da pré-adolescência, vivi a adolescência e o início da fase adulta. Tipo de amizade Pequeno Príncipe e Raposa... Meu melhor amigo que fez parte de todos os momentos bons e todos os momentos ruins da minha vida desde os 13 anos de idade. Há três anos nos separamos. Eu vim para Fortaleza e ele, para os Estados Unidos. Mesmo assim, temos acompanhando um ao outro sempre que podemos. Mais importante do que fazer novos amigos é manter os velhos. Amizade precisa ser cultivada diariamente, regada, aparada. Em caminhos pouco percorridos, o mato cresce depressa. Esse post é só para compartilhar a felicidade e alegria de recebê-lo neste reveillon, na minha casa (fase adulta) e depois de 3 anos e meio sem nos ver, sem o abraço apertado, sem a cerveja compartilhada, sem as risadas e as besteir...
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