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Mostrando postagens de janeiro, 2010

No roteiro da fé

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Nunca me passou pela cabeça a ideia de que o milagre de Juazeiro (do Norte – CE) tivesse, de fato, acontecido. Mergulhada nas páginas de Lira Neto (aproveitando o clima de férias de janeiro na biografia Padre Cícero – Poder, Fé e Guerra no Sertão ), jamais imaginara que o fato havia sido tão investigado na época. Além dos beatos, médicos, enfermeiros, juízes e cangaceiros foram testemunhas da hóstia transformada em sangue na boca da beata. A história de Cícero, o padre com aspecto e cabeça de lunático, me surpreende sempre. Mas eu falo do milagre de Juazeiro porque é nesse clima de devoção popular que estou me preparando pra acompanhar esses dias uma pagadora de promessas em Canindé, roteiro dos fieis de São Francisco. Se não me engano tinha uns cinco anos de idade quando visitei Canindé pela primeira vez. Fiquei assustada com o calor, os pedintes e o povo. Era tudo muito diferente do meu quarto e do caminho da escola. Na época, passei mal com o ‘movimento’ e fiz minha mãe pagar (caro)...

Fé, esperança e amor

Fé, esperança e amor. Três elementos, sentimentos, itens, coisas, negócios, estado de espírito, enfim, nomeie como queira, esse trio ajuda o equilibrio de uma vida plena. A fé consciente é liberdade. A fé instintiva é escravidão. A fé mecânica é loucura. A esperança consciente é força. A esperança emocional é covardia. A esperança mecânica é doença. O amor consciente desperta o amor. O amor emocional desperta o inesperado. O amor mecânico desperta o ódio. Obs.: achei o texto pela internet, não conheço bem o autor ainda, um russo chamado Gurdjeff (1877-1949) e autor do livro “Encontro com homens notáveis”, um místico professor espiritual.

Que nem jiló

Homenagem a Luiz Gonzaga: Vitor Araújo no piano e Isaar na voz.

Dança dos deuses

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Me amarrava em Antropologia na época da faculdade. Não sei se foi o professor – unia inteligência a um par de irresistíveis olhos claros – ou se pelo assunto mesmo, que me fascinava a cada encontro. Era uma aluna dedicada. E nessa brincadeira, tive a oportunidade de me aprofundar em um assunto que sempre me atraiu: as religiões afro, mais especificamente umbanda e candomblé. Sem tradição de crença na família, a curiosidade, que me levou aos templos católicos e neo-pentecostais, também me pegou pelo braço e me apresentou aos caboclos e orixás dos terreiros e barracões. Tudo em nome da pesquisa. Infelizmente – ou felizmente - para finalizar o curso, enveredei pelo teatro e deixei meus orixás de lado. E quase dois anos depois de formada, longe do terreiro, estou eu de férias em São Paulo e me surge a chance de conhecer o trabalho de uma das mães de santo mais respeitadas da cidade: Mãe Du. Não perdi a oportunidade lá fui eu mais uma vez me encantar com a linguagem da Mãe Jurema, do cabocl...

Descobrindo Martha Medeiros

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Aventurar-se em livrarias parece ser um esporte bastante comum, o que muito me agrada. Precisamos de aventureiros literários. Na minha mais recente aventura à uma livraria, conheci a escritora gaúcha Martha Medeiros . "Poesia Reunida" chama-se o livro. Peguei, capa vermelha, bonita. Comentário do ótimo Caio Fernando Abreu, abri então para ver "qual era" e me envolvi com sua poesia. Comprei e dei de presente. Não achei na internet "A" poesia que me fez comprar o livro, mas segue uma igualmente envolvente: Mais ou menos sou uma mulher mais ou menos abandonada um pouco me dou o direito um pouco aconteceu assim às vezes cansa ser independente hoje me sustente não me deixe me alimente quero alguém para pentear meus cabelos sou uma mulher mais ou menos maltratada um pouco por descuido um pouco por querer gosto da impressão esfomeada às vezes cansa ser milionária quero sair das páginas dos jornais hoje me adote me faça um carinho deboche me ponha no colo e abotoe...

Dia de Reis

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Dados do Presépio - Procedência: Peru Técnica: Figuras em Argila Coleção: Província Franciscana Convento de São Francisco (SP) A pressa dos nossos dias urbanos às vezes faz com que nos esqueçamos de algumas datas. E uma delas, por estar de férias e em uma ‘vibe’ diferente esses dias, não tive como esquecer: o Dia de Reis, comemorado hoje, 6 de janeiro. Aproveitando que nesta semana visitei a Igreja de São Francisco, no Largo de São Francisco, em São Paulo, divido com vocês, nossos atenciosos leitores, imagens de alguns preciosos presépios (de vários cantos do mundo) em exposição por lá. Segundo o Cristianismo, o Dia de Reis lembra a visita que Jesus teria recebido de três reis magos, que trouxeram alguns mimos ao filho de Deus. Hoje no Brasil, e com mais vigor no Nordeste, temos a folia de Reis (reisado) lembrando a data. Nos festejos, são as bênçãos do menino Jesus que chegam até nós por meio de um dos mais belos exemplos dos nossos folguedos. O Reisado chegou ao Brasil com os coloniz...

Mariah Carey e seu leite

Há mais de dez anos excluí Mariah Carey do meu playlist e do meu repertório. É, eu comecei a cantar aos 14 anos e fazia "sucesso" com minhas versões de "Hero" e "Music box". Havia visto até um documentário no qual a moça aparece com um copo na mão dizendo para as câmeras que era "leite". Ok. Está aí no vídeo a prova mais rídicula da origem do leite. Fiquei foi com pena. Uma voz como a dela, que atinge notas altíssimas e raríssimas, com técnica, estilo e tudo o mais o que a faria uma grande diva - a la Whitney Houston, que inclusive ouvi por aí que prepara uma volta triunfal, torço por isso. Depois de filme ruim após filme ruim, músicas bregas após músicas bregas, erros após erros, tomara que não chegue ao famoso "escândalo após escândalo" e que preserve as boas lembranças que ainda restam do início da carreira.

Papel errado

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Boa parte da minha infância passei na fazenda do meu tio, em Fazenda Nova, município de Brejo da Madre de Deus, agreste de Pernambuco. Lá acordava cedinho pra tirar leite das cabras, ver o queijo sendo feito, ver os caseiros estirando um bode entre as árvores e matando com um só golpe para depois ver minha tia costurando o que viria a ser uma senhora buchada de bode, a qual eu me deliciava, sim, com apenas 6 anos de idade. Bem, dentre essas e outras atividades que fizeram parte de muitas férias, conheci o Teatro de Nova Jerusalém (quase uma cidade-teatro, considerado o maior teatro ao ar livre do mundo) antes e durante o espetáculo da Paixão de Cristo. Brinquei na caverninha que Jesus é colocado depois de morto, vi de perto a cruz, o salão da santa ceia, o pé de árvore em que Judas se matou, etc. O espetáculo então, mágico. Não existe outra palavra. Com os efeitos técnicos de impressionar a qualquer um (como a elevação de Jesus no terceiro dia, ele sobe mesmo!) e com a forma que os ato...